27 de Fevereiro de 2014

Por entre o Tâmega o Marão e o Alvão

Desde o principio do ano que praticamente todos os fins de semana me tenho repartido pela cidade de Amarante. Um novo projecto tem-me feito abraçar de novo uma região que sempre admirei, repartida pelo rio Tâmega, a Serra do Marão e do Alvão. Não tem conta as vezes que já me desloquei às duas serras para fotografar os seus diferentes aspectos naturais, mas também algumas histórias relacionadas com as actividades das populações de montanha. Algumas destas histórias foram publicadas em revistas de viagens. Ultimamente tenho-me dedicado ao magnífico rio Tâmega que com a sua luz de Inverno me tem permitido fazer novas imagens e com abordagens diferentes. O facto de nevar todos os anos quer no Marão quer no Alvão, levou-me sempre a dedicar parte do meu tempo na zona a captar novas imagens do Inverno gelado.


› O rio Tâmega ao final do dia perto de Amarante, Inverno › Digital,  ISO 160  22 mm  f/22   0,5 s  tripé



› O rio Tâmega e a cidade de Amarante num dia de nevoeiro, Inverno  › 28 mm, médio formato 6x4.5  Película Fujichrome Velvia 50 ISO  tripé

› Base da Serra do Marão e a aldeia de Quintã, Inverno  › Digital,  ISO 100  60 mm  -0,33 ev  f/7.1  1/60  filtro ND  tripé

› Pormenor de carvalhos e pinheiros num dia de neve, Inverno, serra do Marão › Digital ISO 100  24 mm f/5.6  1/60  tripé
› O recolher do gado ao final do dia, Lamas de Olo, Inverno, Serra do Alvão  › 20 mm, Película Fujichrome Velvia 50 ISO






29 de Dezembro de 2013

Flamingos e alfaiates

Se existem aves que frequentam as zonas húmidas que sempre me fascinaram são os flamingos e alfaiates. Gosto imenso de os fotografar. Lembro-me de uma das primeiras visitas que fiz ao interior do Estuário do Tejo de barco, em que observei e fotografei largas centenas de alfaiates em voo, que pareciam nuvens vivas em movimento. Um visão absolutamente fantástica! Mais tarde, e também nesse dia, já ao final do dia no horizonte, uma linha cor de rosa no céu escuro acompanhada de um som contínuo, atestava um grupo de flamingos que se dirigia para as bermas do estuário para aí pernoitar. A presença constante dos flamingos em algumas zonas do país (como por exemplo a Ria de Aveiro), tem-me proporcionado novas imagens desta bela ave, nestes últimos anos. Acabei, desta forma, por ter um número considerável de registos efectuados em diversas áreas naturais de Portugal destas aves que tanto admiro. 


› Flamingos-comuns levantando voo de uma salina perto de Alcochete ao lusco-fusco, Estuário do Tejo.  ›  ISO 800  600 mm  f/5,6  1/1000  tripé



› Alfaiate descansando nas margens do Estuário do Tejo.  ›  ISO 400  600 mm  teleconversor 1.4x f/8  1/750  tripé

› Flamingos-comuns descansando numa salina perto de Alcochete, Estuário do Tejo.  ›  ISO 640  -0,33 ev  f/8  600 mm  teleconversor 1.4x  1/750  tripé

› Alfaiates em voo no interior do Estuário do Tejo  ›  Película Fujichrome Velvia 50  300 mm  f/4  barco
› Flamingos-comuns alimentando-se numa salina abandonada junto à Moita  ›  Película Fujichrome Sensia 100  600 mm  teleconversor 1.4x  f/5,6  tripé

2 de Dezembro de 2013

Relembrar a tragédia do Prestige

Faz agora  onze anos que aconteceu a tragédia do Prestige em Espanha (13 de Novembro de 2002), que afectou sobretudo a região da Galiza. Na altura, desloquei-me durante alguns dias para a zona da povoação da Muxía para testemunhar e fotografar os diferentes aspectos de uma tragédia desta dimensão. Nunca tinha observado nada assim! Era impressionante a quantidade de crude que cobria as praias e o mar, o cheiro e as manchas de petróleo que se espalhavam por todo o lado, pelas ruas e inclusivé o hotel onde eu fiquei instalado, todo coberto com o chão preto das pegadas de crude. Diversas aves marinhas iam dando à costa em agonia ou já mortas. No total cerca de 77 mil toneladas de combustível foram derramadas em alto mar, que acabaram por mais tarde vir a afectar o norte de Portugal. Numa luta desigual, centenas de voluntários vestidos com fatos brancos, tentavam numa missão dantesca, limpar as toneladas de crude que se acumulavam em algumas das praias da Galiza. Nunca mais me vou esquecer do cenário desta tragédia, onde os recursos naturais e pesqueiros da região, foram altamente afectados. O contraste dos pontos brancos dos voluntários contra o cenário negro era impressionante. Muitos destes voluntários foram mais tarde afectados por alterações genéticas e hormonais. Numa acção coordenada na altura com o Instituto da Conservação da Natureza, foi montado em Esposende um Centro de Recuperação de Aves, para limpar e tratar as inúmeras aves marinhas afectadas que começaram a aparecer na costa norte de Portugal. Nesta missão, onde acabei por colaborar como voluntário, houve muitas histórias felizes de aves que foram recuperadas e devolvidas à natureza, mas nem todas o conseguiram. Muitas pereceram na altura em que eram limpas. Araus, gansos-patolas, gaivotas, entre muitas outras, foram algumas das aves que apareceram neste Centro de Recuperação de Aves improvisado. Anos mais tarde, em Abril de 2010 uma outra tragédia de enormes dimensões a fazer lembrar a do Prestige aconteceu, desta vez, no Golfo do México onde 700 milhões de litros de petróleo foram derramados. Este assunto mereceu grande destaque na revista National Geographic, que também foi publicada na versão portuguesa. Relembrando a tragédia do Prestige, a revista publicou um artigo com uma das imagens que na altura fiz na Galiza.

› Aspecto de uma das praias em Muxía na Galiza  coberta de crude.  ›  Médio formato 6x4.5  28 mm  tripé  película Fujichrome Velvia 50

› Voluntários limpam uma das praias em Muxía na Galiza  coberta de crude.  ›  Médio formato 6x4.5  28 mm  tripé  película Fujichrome Velvia 50
Algum do material usado na limpeza do crude. Baldes e pás. › 28 mm, película Fujichrome Velvia 50
› Uma das manga protectoras usadas para conter o avanço do crude junto às praias, Galiza. › 28 mm, polarizador, tripé, película Fujichrome Velvia 50
› Um das muitos aves que apareceram na costa norte de Portugal na zona de Esposende após o derrame do Prestige. Neste caso um Arau comum. › 28 mm, polarizador, tripé, película Fujichrome Velvia 50
› Um arau a ser limpo no Centro de Recuperação de Aves improvisado instalado em Esposende. Posteriormente foi devolvido à natureza. › 28 mm, polarizador, flash, película Fujichrome Velvia 50


› Revista na National Geographic Portugal (Outubro de 2010) em que destaca o derrame no Golfo do México e faz referência à tragédia do Prestige na Galiza.

6 de Novembro de 2013

Peneda-Gerês, o principio do Outono

Algumas semanas atrás fui até ao Parque Nacional da Peneda-Gerês para a zona da Mata de Albergaria. Pretendia fotografar o principio do Outono e fazer uma série de novas imagens de floresta. Sabia que ia estar um dia nublado, mas sem chuva, ideal para o que eu pretendia. O açafrão-bravo estava ao rubro, pincelando de violeta o chão da floresta. Perdi algum tempo com esta planta, fazendo novas imagens macro com diferentes planos e diferente iluminação. Aproveitei igualmente para fotografar o tojo, que ainda se encontrava em flor nas zonas mais elevadas juntamente com a urze. No interior da mata de Albergaria as faias davam os primeiros sinais de Outono com folhas alaranjadas, que contrastavam com o verde de fundo. Era mesmo isto que eu pretendia fotografar, já que no meu arquivo tenho imensas imagens do Outono em todo o seu esplendor. Aproveitei para fazer diversas imagens panorâmicas, com diferentes fotogramas. Estive grande parte do tempo na magnifica área da mata de Albergaria, embora tenha aproveitado para fazer novas imagens do rio Homem, pois estava com uma boa iluminação coisa quem nem sempre acontece. Foi um excelente dia, bastante produtivo em termos fotográficos e com resultados que me agradam bastante. Em breve, voltarei de novo.

› Mata de Albergaria, Peneda-Gerês, principio do Outono.  ›  ISO 400  15 mm  -0,33 ev  f/5  1/30  tripé

› Açafrão-bravo, Mata de Albergaria, Peneda-Gerês  ›  ISO 400  105 mm macro  f/2.8  1/400  dupla expoisção  tripé

› As faias mostram os primeiros sinais de Outono, Mata de Albergaria, Peneda-Gerês  ›  ISO 200  300 mm  f/4  1/10  disparador remoto  tripé

› Tojo e urze em flor, Peneda-Gerês  ›  ISO 200   105 mm macro  f/5.6  1/160  tripé

› Rio Homem, Peneda-Gerês › ISO 200  12 mm  -0,33 ev  f/8  1/250  filtro ND  tripé








18 de Setembro de 2013

Salinas, sal e flor de sal.

Num destes dias regressava da praia da Costa Nova e não resisti a parar nas salinas de Aveiro. A luz fantástica de fim de tarde e os montes de sal de mais uma safra anual, fizeram-se estar ali até ficar noite. Por mais que fotografe os diferentes aspectos das salinas de Aveiro, existem sempre pormenores diferentes, e não me canso de perder aqui algum tempo. Desta vez pormenorizei um pouco a flor de sal, que tinha visto ser retirada uns dias antes pelo marnoto. Enquanto me dedicava às salinas, um enorme bando de flamingos sobrevoava as mesmas, à procura de um local para pernoitar. Já quase a anoitecer, os pernilongos posicionavam-se para mais uma noite.


› Os reflexos dos montes de sal de mais uma safra anual em Aveiro.  ›  ISO 200  140 mm  -0,3 ev  f/5,9  1/500  tripé


› Pormenor de uma salina com sal e o reflexo das núvens, Aveiro.  ›  ISO 200  28 mm  -0,3 ev  f/3,9  1/320  tripé
› Pormenor de monte de sal, Aveiro.  ›  ISO 200  28 mm  -0,3 ev  f/11  1/125  tripé
› Reflexo de flor de sal numa das salinas em Aveiro.  ›  ISO 200  78 mm  -0,3 ev  f/5,9  1/320  disparador  tripé
› Já quase a anoitecer, os pernilongos posicionavam-se para mais uma noite.  ›  ISO 400  600 mm  -0,3 ev  f/8  1/500  tripé



30 de Agosto de 2013

Mundo das abelhas no Mundo Rural

Desde sempre apreciei o mundo rural português, pois este é fundamental para a manutenção e conservação de muitas espécies. Há poucos meses, iniciei um trabalho para um produtor florestal em que tenho de fotografar todos os aspectos relacionados com o sector apícola. Desde a área florestal, espécies de flora e enquadramento paisagístico, até à produção do mel e todas as etapas que por aí passam, incluindo a vida das abelhas. Este trabalho tem sido um enorme desafio para mim, pois nunca tinha feito nada do género. Também sabia que não seria fácil, já que fotografar e estar junto de dezenas de milhares de abelhas, me obrigaria a diversas precauções, conforme me foi dito pelo apicultor com mais de trinta anos de experiência. As suas explicações foram fundamentais para o sucesso deste trabalho.Tinha que estar protegido com equipamento apícola, incluindo umas grossas luvas em borracha, o que tornaria o manuseamento do controlo das câmaras bastante difícil. Por outro lado, tinha que estar permanentemente com um chapéu apícula com rede, e nem pensar em encostar a vista para espreitar para a ocular da câmara, senão eram picadas certas. Deste modo, tive que trabalhar sempre  com o lifeview das câmaras, que em algumas situações se tornava complicado, devido à intensa luz de um dia de Verão me dificultar a visão no ecrã. Outro enorme constrangimento, foi  passar uma boa parte do dia com um fato apícola vestido, com temperaturas superiores a 30 graus! Passamos o dia a destilar. Fiquei no entanto a saber que os dias mais quentes, são os melhores para tirar o mel dos quadros, pois este está mais líquido, caso contrário torna-se uma tarefa ingrata para o apicultor. Com este trabalho, também aprendi imenso sobre um sector que está inteiramente relacionado com a nossa floresta.

Antes de iniciar este trabalho, iniciei uma busca bela internet e consultei alguns trabalhos sobre apicultura e a vida das abelhas. Procurei, igualmente, ver o tipo de fotografias que se poderiam fazer. Cedo percebi que existe pouca variedade de imagens de apicultura. Então em Portugal, aquilo que vi é de muita fraca qualidade. Apenas identifiquei um fotógrafo francês, especialista em fotografia de apiários pelo mundo, com umas fotografias bastante interessantes que nalguns casos me serviram de inspiração. Para fotografar os apiários e as abelhas, utilizei sempre  o meu zoom 12-24 mm e uma lente 105 macro. Ao longe, uma 300 mm. Usei igualmente a minha câmara compacta Olympus Tough TG-830 bastante versátil e que me permitiu igualmente fazer alguns vídeos. Nalguns casos usei o meu fole de extensão, sobretudo para fotografar os favos com o mel. Recorri igualmente um disparador remoto e flash que posicionava previamente antes de os apicultores irem retirar os quadros com o mel. Pois assim que abriam o apiário e mexiam nos quadros, milhares de abelhas investiam contra nós. Apesar de estarmos protegidos, levamos sempre algumas picadelas. No total levei mais de dez picadelas nas mãos e uma no lábio, o que não é nada agradável. No entanto, adorei fazer este trabalho e depois de ver as várias centenas de imagens que produzi, não podia estar mais satisfeito. Fiz igualmente diversas fotografias do trabalho no interior da melaria, que irá culminar daqui a um mês com as fotografias finais do enchimento dos frascos de mel. O mel de Alombada é produzido na zona da Alombada (Macinhata do Vouga) à base de urze, rosmaninho, medronho, castanheiro, eucalipto e outra flora local. Parte é vendido em Portugal, outra é exportada sobretudo, para a Noruega. As imagens que efectuei serão utilizadas em diversos expositores e material gráfico, em certames nacionais e estrangeiros da especialidade. Com o avanço da tecnologia, fiz igualmente diversas filmagens com uma das  Nikon e com a minha Olympus que culminará na produção de um pequeno vídeo sobre o mel da Alombada.


› Um dos apiários na zona da Alombada inserido no meio da floresta › Digital, ISO 400  12 mm  f/8   1/250  flash controlado manualmente   Câmara fixa à colmeia  Disparador remoto

› Fotografia de milhares de abelhas com um dos apicultores, enquanto testava o disparador remoto › Digital, ISO 320  12 mm  f/9  1/1000  flash controlado manualmente   Câmara fixa por baixo da colmeia   Disparador remoto

› Abelhas, favos e mel de uma das colmeias  › Digital, ISO 400  28 mm marco  -0,3 ev   f/3,9  1/80   

› Pormenor de um dos favos com uma abelha e mel de urze (tom vermelho)  ›  ISO 200  37 mm  macro  f/4.7  1/125
› Abelhas a entar numa das colmeias › Digital, ISO 400  36 mm  -0,3 ev  f/9  1/1000  flash controlado manualmente   Câmara fixa à colmeia   Disparador remoto

› Uma das posições em que coloquei uma das câmaras por baixo das colmeias (antes dos apicultores retirarem o mel)  com um disparador remoto para apanhar as abelhas e o céu.  ›  Digital, ISO 127  37 mm  f/4.7  1/500

20 de Agosto de 2013

Parque Biológico de Vinhais, Montesinho

Aproveitei o período de férias para ir até Trás-os-Montes passar alguns dias em família na zona do Parque Natural de Montesinho. Como sempre, esta região faz-nos regressar com excelentes recordações. Muita natureza, banhos de rio e uma magnifica gastronomia, são apenas alguns exemplos, entre muitos outros. Alojei-me no Parque Biológico de Vinhais e não podia estar mais satisfeito com o que este recente espaço tem para oferecer. Um Centro Interpretativo das Raças Autóctones Portuguesas, um Centro Micológico e um parque com algumas espécies autóctones, permite ao visitante ficar a conhecer os diversos valores da região e de Portugal. A piscina biológica, permite-nos tomar banho com rãs e cobras-de-água à mistura, com um enquadramento paisagístico absolutamente fantástico, enquanto algumas águias-de-asa-redonda nos sobrevoam de manhã e ao final do dia. Caminhadas, passeios de bicicleta ou a cavalo permitem a quem queira disfrutar do espaço envolvente, dos inúmeros percursos devidamente assinalados. Fico contente por finalmente ver em Portugal a excelência deste tipo de espaços, como o Parque Biológico de Vinhais, que só costumava observar no estrangeiro há alguns anos. Antes de regressar, aproveitei ainda para conhecer o interessante Centro de Interpretação do Parque de Montesinho na vila de Vinhais, instalado num belo edifício histórico. 



› Fim de tarde na zona de Vinhais, à entrada do Parque Natural de Montesinho  › Digital  ISO 200  78 mm  -1 ev  f/5.9  1/125  tripé  

› O Centro Interpretativo das Raças Autóctones Portuguesas no Parque Biológico de Vinhais é excelente com todos os modelos das raças, muita informação, mapas da sua distribuição e apoio multimédia.  › Digital  ISO 400  28 mm  -0,3 ev  f/3.9  1/13 

› Piscina Biológica ao final da tarde onde podemos tomar banho com rãs e cobras-de-água, enquanto algumas águias-de-asa-redonda nos sobrevoam. › Digital, ISO 200  28 mm  -0,3 ev  f/11  1/160
 No Parque Biológico de Vinhais existem algumas espécies autóctones da região com toda a informação que visitante pretenda saber. Na imagem um corso (c) › Digital, ISO  1250  140 mm  -0,3 ev  f/5.9  1/250

Um dos painéis do interessante Centro de Interpretação do Parque de Montesinho instalado  na vila de Vinhais.  › Digital,  ISO 250  37 mm  f/4,7  1/250