26 de julho de 2015

O projecto de um livro de fotografia de natureza

Avançar com o projecto de um livro nunca é uma tarefa fácil. Sobretudo na área da fotografia de natureza, há que definir bem aquilo que se pretende publicar. Não sendo Portugal um país de tradição na publicação de livros de fotografia de natureza (ao contrário do que acontece em muitos outros países), não basta fazer um livro com fotografias bonitas. Temos que ter em conta que a publicação abranja um leque variado de leitores e que, para além de fotografias de natureza, lhes transmita informação útil. Foi essa a primeira ideia que me surgiu quando avancei para o projecto do livro - Portugal de Norte a Sul - uma publicação voltada para o mercado turístico e nacional, que divulgue a diversidade e o valor do património natural do nosso país.

Escolher imagens existentes em arquivo, efectuar fotografias novas que me pareciam importantes, definir o design, paginar e escrever os textos são sempre processos demorados. Para além disso, existem sempre diversos colaboradores que desde a revisão dos textos, à identificação de uma ou outra espécie nas fotografias, etc., se tornam fundamentais. Posteriormente, toda a fase de produção como o tipo de papel usado, a impressão com o respectivo acerto das cores e acabamentos, também devem fazer parte do nosso acompanhamento. Pessoalmente, nunca descuro esse processo extremamente importante, o que me levou a passar alguns dias na empresa gráfica a acompanhar cada plano que era impresso. Estive mais de dois anos envolvido neste projecto que chega agora ao fim. Em breve, todo este esforço será compensado ao passar numa das livrarias do país e ver nas estantes o livro Portugal de Norte a Sul. Confesso que, pelo menos para mim, é sempre um momento mágico!

› Um dos processos de fotografia de natureza no terreno  › na imagem, a fotografar a borboleta azul das turfeiras (Phengaris alcon) no Parque Natural do Alvão para incluir no livro.

› O processo de edição e tratamento de fotografias de natureza, é um processo que por vezes demora imenso tempo. › Na imagem, no escritório a editar uma imagem de pernilongo (Himantopus Himantopus) efectuada nas salinas de Aveiro.


› As provas finais para correcção do livro, assim como as provas de cor para verificar as fotografias, são a penúltima etapa antes de entrar na fase de impressão. Esta fase pode ser bastante demorada com alterações e emendas.
A acompanhar o impressor Nuno na empresa Rainho & Neves para efectuar a afinação de cores num dos planos do livro que irá ser impresso.

As sobrecapas do livro Portugal de Norte a Sul já impressas na empresa Rainho & Neves e prontas a entrar na secção de plastificação.



14 de maio de 2015

Por terras de Trás-os-Montes

Recentemente andei por terras de Trás-os-Montes num fim de semana fantástico pela Quinta Agrícola d`Alagoa (http://alagoa.net). Esta quinta, com uma dimensão de 70 hectares, fica localizada em Carrazedo de Montenegro perto da serra da Padrela a cerca de 650 metros de altitude. A zona envolvente é de uma enorme diversidade e beleza paisagística tendo como base a produção de castanheiro, olival e vinha. Possui ainda um protocolo de colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. No âmbito desta colaboração todos os anos se organiza, durante um fim de semana, um  passeio para observar e fotografar natureza pela quinta, organizado pelo professor e investigador da UTAD João Carrola. Nesse sentido, passei um fim de fim de semana magnífico que muito apreciei nos diferentes aspectos. O tempo estava magnífico. Uns anfitriões fantásticos, uma quinta de encher as medidas, uma camaradagem e convívio como há muito tempo não conseguia aproveitar. E sobretudo... a fotografar natureza, sem pressa, sem stress e sem competições. Uma última palavra para a excelente gastronomia e para o amigo João Carrola​ pelo convite. 


Uma das magníficas paisagens escarpadas que faz parte da propriedade, final do dia.  ›  ISO 200  12 mm  -0,33 ev  f/5.6  1/640

O rosmaninho em flor esteve quase sempre presente.  ›  ISO 200  300 mm  -0,33 ev  f/5  1/320  tripé

Pormenor de urze-branca em flor.  ›  ISO 400  105 mm macro  -0,33 ev  f/5.6  1/320 

Ao longo da propriedade podem ser encontradas diversas espécies de borboletas como esta Euphydryas aurinia  ›  ISO 400  105 mm macro  -0,33 ev  f/4  1/800
Pormenor de fetos junto a curso de água ao final do dia.  ›  ISO 400  105 mm macro  -0,33 ev  f/4  1/400 
Sapo-corredor, uma presença constante ao anoitecer.  ›  ISO 1600 105 mm macro  -0,33 ev  f/2.8  1/50  luz auxiliar (leds) contínua


4 de maio de 2015

Por vezes há dias assim!

A semana passada aproveitei mais um dia para ir visitar alguns locais que costumo frequentar nesta altura do ano. Com a Primavera e o bom tempo instalados, fiz o percurso em torno da Ria de Aveiro, passando igualmente por Salreu. Cedo percebi que o dia prometia assim que cheguei à Ria, na zona da Murtosa, e observei inúmeras aves limícolas a alimentarem-se nas margens durante a maré vazia. Entre elas, encontravam-se diversos maçaricos-galegos, o que me permitiu efectuar alguns registos. Já em Salreu, muita cor pelos campos (das recentes flores), passeriformes, aves de rapina e garças-vermelhas. Havia vida selvagem em força, o que me permitiu passar toda a tarde a fotografar em diversas zonas. Depois de passar pelas salinas em Aveiro, acabei o final do dia a fotografar um pato negrola-comum na mesma zona onde já tinha fotografado os maçaricos-galegos. Foi a primeira vez que observei o negrola-comum (ou pato-negro) na Ria de Aveiro, uma espécie que se encontra na Lista Vermelha de Vertebrados Portugueses http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/patrinatur/lvv/resource/doc/aves/mel-nig  devido à sua fragilidade no nosso país. Foi um dia em grande em termos fotográficos. Por vezes há dias assim!

Alvéola-amarela, um dos passeriformes bastante frequentes em Salreu  ›  ISO 400  600 mm  -0,33 ev  f/8  1/1000  beanbag  viatura

Inúmeras e coloridas flores cobrem alguns campos em Salreu.  ›  ISO 400  Lensbaby Spark   -0,33 ev  f/5.6  1/1000 

Uma garça-vermelha sobrevoa um campo agrícola em Salreu.  ›  ISO 400  600 mm  -0,33 ev  f/8  1/2000 

Campos agrícola em Salreu ao final do dia  ›  ISO 400  12 mm  -0,33 ev  f/8  1/320  filtro ND  

Maçarico-galego nas margens da Ria de Aveiro ao final da tarde.  ›  ISO 800  600 mm  -0,67  f/8  1/640  beanbag  viatura

Negrola-comum (uma espécie ameaçada) nas margens da Ria de Aveiro ao final da tarde.  ›  ISO 800  600 mm  -0,67  f/8  1/800  tripé

17 de abril de 2015

Primavera na montanha

Aproveitando aos dias de Primavera rumei até à montanha para fazer algumas imagens de pormenores. Fui até às serras do Marão e Alvão onde passei um dia completo, captando alguns pormenores de flores. A serra começava a dar sinais de Primavera, com inúmeras flores a despertar nas árvores e junto ao solo conferindo belos cenários. Fiz imagens gerais, mas perdi algum tempo a fazer pormenores de flores com uma lente macro e um fole de extensão, conferindo enormes ampliações e uma visão diferente das flores rasteiras existentes na montanha.


Ao longe a cadeia montanhosa onde se inclui a serra do Alvão numa panorâmica de 4 imagens   ao final do dia. ›   ISO 200  105 mm  -0,33 ev  f/8  1/125  tripé

Na base da serra do Marão as flores começam a despertar nas árvores contrastando com os tons verde.  ›   ISO 200  300 mm  -0,67 ev  f/5.6  1/125  tripé

Na serra do Alvão a urze começa a despertar com toda a força conferindo à paisagem tons rosas.   ›   ISO 400  105 mm macro + fole de extensão -1 ev  f/8  1/100  disparador remoto  tripé

Pouco maiores que duas cabeças de alfinete, dois botões minúsculos de flores rasteiras em plena montanha. Serra do Alvão. ›   ISO 400  105 mm macro + fole de extensão -0,33 ev  f/8  1/10 disparador remoto  tripé






30 de março de 2015

A Primavera está aí...

A Primavera está aí e para mim este vai ter um sentido muito especial. Vou apreciá-la em pleno! Finalmente livre de vários trabalhos que tinha entre mãos, vai-me saber bem fotografar calmamente a meu gosto. Os campos começam a estar cheios de flores e, alguns dos locais que costumo frequentar nestas alturas do ano, estão cheios de vida. É o caso da Ria de Aveiro com inúmeras aves, entre elas os habituais flamingos. Com os dias mais compridos, sabe bem aproveitá-los até cair a noite e fazer algumas imagens de silhuetas com alguns rituais de acasalamento já em marcha. Até breve.



› Os campos começam a ficar cheiros de flores, zona da Pateira de Fermentelos.  › ISO 200  300 mm  -0,67  f/4  1/4000  tripé



› Silhueta de pernilongos ao final do dia, salinas da Troncalhada, Ria de Aveiro.  ›  ISO 400  600 mm  -0,67  f/8  1/1600  tripé



› Flamingos-comuns cruzando o céu sobre a Ria de Aveiro.  ›  ISO 400  600 mm  -0,67  f/8  1/2500  tripé

› Flamingos-comuns nas salinas da Troncalhada ao final da tarde, Aveiro.  ›  ISO 400  600 mm  -0,33  f/8  1/800  tripé


Fumaria sp. com todo o seu esplendor, campos de Salreu.   ›  ISO 400  105 mm macro  f/8  1/125 tripé

18 de janeiro de 2015

Costa Oeste

Os últimos tempos tem sido atarefados a terminar alguns trabalhos, entre eles o meu novo livro que irá sair durante a Primavera. O tempo actualmente tem sido muito pouco para ir para o campo, uma vez que me encontro a editar centenas de imagens que foram efectuadas nos últimos tempos. Excepção feita por alturas do Natal em que saí para ir a Lisboa durante alguns dias. Aproveitando o regresso, tive tempo para ir até à Costa Oeste a fim de fazer umas últimas fotografias da costa portuguesa e deste modo incluir estas novas imagens no novo livro. Dediquei algum tempo na zona da Nazaré e efectuei inúmeras imagens desta magnífica zona da nossa costa. Apesar de já lá ter estado no passado, vale sempre a pena lá regressar.


› Gaivota-de-patas-amarelas, Praia do Norte, Nazaré, Costa Oeste  ›  ISO 200  300 mm  -0,33  f/8  1/640  tripé

› Praia do Norte, Nazaré, Costa Oeste  ›  ISO 80  35 mm  f/2.8  1/1400  


Pormenor de onda, Praia do Norte, Nazaré, Costa Oeste  ›  ISO 400  600 mm  -0,33  f/5.6  controlo remoto  1/1320  tripé



20 de novembro de 2014

A montanha em pleno

Durante os passados dois fins de semana tive ocasião de ter que ir ao Parque Natural da Serra da Estrela. Num dos casos estive a participar como orador a convite do município de Manteigas no 1º Encontro de Fotografia e Vídeo. Mais recentemente, conduzi o meu habitual nature foto tour na Serra da Estrela, que à cinco anos levo a cabo durante o Outono. Em ambos os casos tive ocasião de fotografar diversos aspectos da Estrela, que mais uma vez me surpreendeu pela sua magnitude. Cores quentes, bagas vermelhas, uma luz magnífica e alguma neve, fizeram-me chegar a casa com largas centenas de imagem para o meu arquivo. Digamos que a montanha estava em pleno, com toda a sua natureza exposta para nós a a registarmos.


Pormenor de faias com cores de Outono na mata de Manteigas  ›  ISO 200  300 mm  f/4.5
  1/60  tripé

O final do dia a partir da mata de Manteigas (zona do Poço do Inverno)  ›  ISO 200  12 mm  -O,33 ev  f/6.3  1/500

Pela manhã cedo por entre o nevoeiro os raios de sol iluminam os cumes da montanha.  ›  ISO 200  105 mm  f/8  1/200  tripé

Depois de uma chuvada, o sol do fim de tarde ilumina parcialmente a mata de Manteigas com as suas cores de Outono.  ›  ISO 200  105 mm  -O,67 ev  f/8  1/125
Durante dois fins de semana fotografei intensamente diversos aspectos do Parque Natural da Serra da Estrela. Na imagem, no interior do bosque.  ›  ISO 200  28 mm  -1.3 ev  f/3.9  1/60