Dedicando-se em exclusivo à fotografia de Natureza desde 1991 e criada pelo fotógrafo de Natureza João Nunes da Silva, poderá ir vendo neste blogue uma mostra do banco de imagens ILUSTRANATUR. Imagens únicas, que cobrem grande parte das regiões e áreas naturais de Portugal, alguma da fauna e flora que as caracterizam, assim como imagens doutros locais do globo. Imagens que tem ilustrado algumas das melhores publicações portuguesas e campanhas publicitárias. Um convite também a conhecer o património natural do nosso belo país.

28 de Outubro de 2009

Contemplar o Outono nos bosques de Somiedo


O Outono é uma das minhas estações preferidas para fotografar. Nesse sentido, uma viagem até Somido é mergulhar em vales profundos, onde bosques de cores alaranjadas, nos permitem observar um cenário ímpar digno de registo. Somiedo, é também um dos últimos e o mais importante refúgio do urso-pardo na Penísula Ibérica. A paisagem em Somiedo nesta altura do ano fala por si. Faias - a principal protagonista destes bosques de folha caduca – pintalgam o quadro de laranja vivo. Alguns carvalhos-negral, castanheiros e amieiros por entre muitas outras espécies conferem ao cenário uma palete típica de Outono e que torna obrigatório o fotógrafo de Natureza conhecer. Este Parque Natural foi criado em 1988 e aí encontram-se representados os mais característicos ecossistemas da Cordilheira Cantábrica. Pelo facto de existir em Somiedo cinquenta por cento da população de urso-pardo da Cordilheira Cantábrica, confere a este lugar o enclave mais importante da Europa para a sua conservação.
















De cima para baixo


› No Outono Somiedo "explode" de cores quentes, com as faias no seu máximo explendor. › 300 mm, tripé, pelicula Fujichrome Velvia 50 ISO.

› Lago del Valle, área onde com alguma sorte podemos observar o urso-pardo. › Médio formato 6x4.5, 28 mm, tripé, pelicula Fujichrome Velvia 50 ISO.

› O Urso-pardo encontra em Somiedo o habitat fundamental para a sua sobrevivência, aqui fotografado num Centro de Recuperação. › 300 mm, película Fujichrome Provia 100 ISO.

› Com a chegada do Outono, Somiedo cobre-se de bagas, como estas amoras, fundamentais na dieta do urso-pardo. › 105 mm macro, tripé, pelicula Fujichrome Velvia 50 ISO.

› Gralha-bico-amarelo, um habitante comum nas áreas mais elevadas de Somiedo. › 300 mm, película Fujichrome Provia 100 ISO.

29 de Setembro de 2009

Estuário do rio Douro

O Outono está aí. Apesar do calor que se continua a manter, já são visíveis alguns sinais da mudança de estação na folhagem de algumas árvores de folha caduca. Estive recentemente no estuário do rio Douro - zona conhecida como Cabedelo, do lado de Vila Nova de Gaia – um local que há muito pretendia explorar, apesar de ficar perto da minha residência. Talvez por isso, as visitas ao local eram sempre adiadas, uma vez que quando saio, vou sempre para paragens mais distantes. Gostei do que vi. Um grande bando de maçaricos-de-bico-direito e inúmeros pilritos, borrelhos-de-coleira interrompida, garças-reais e gaivotas demonstram que as migrações já começaram e que muitas aves já se preparam para passar cá os próximos meses, vindas das paragens mais frias do norte da Europa. Em termos fotográficos foi produtivo, pois os bichos deixavam-me aproximar (e aproximavam-se)com alguma facilidade, mesmo sem abrigo. Enquanto fotografava, acabei por encontrar um amigo de longa data, que agora trabalha para o Parque Biológico de Vila Nova de Gaia como ornitólogo, e que está a inventariar as aves que por ali param. Fiquei a saber que a zona classificada como “Reserva Ornitológica da Foz do Rio Douro” é, actualmente uma reserva local, gerida pela autarquia de Gaia, e que muito em breve haverá diversos investimentos na zona, de modo a salvaguardar e potenciar a sua conservação. Inúmeras aves, algumas raras, param por ali durante os meses mais frios. Mais de 150 espécies já foram ali inventariadas e inúmeras com anilhas provenientes do norte da Europa. Entre as espécies inventariadas iiiicontam-se o pisco-de-peito-azul e diversos anatídeos. Vai ser, concerteza, um lugar onde irei mais vezes durante os próximos meses.

















De cima para baixo

› O Estuário do Rio Douro (com o Porto ao fundo) numa panorâmica efectuada com dois fotogramas.Digital, zoom 12-60 mm, tripé, 200 ISO.

› Um maçarico-de-bico-direito passa tranquilo na minha frente. › Digital, 300 mm, teleconversor 1.4x, tripé, 200 ISO.

› Um bando de maçaricos-de-bico-direito descansa ao final da tarde. › Digital, 300 mm, teleconversor 1.4x, tripé, 200 ISO.

› Os pilritos também são abundantes por estas paragens. › Digital, 300 mm, teleconversor 1.4x, tripé, 200 ISO.

› Uma garça-real prepara-se para levantar voo com a minha aproximação. › Digital, 300 mm, teleconversor 1.4x, tripé, 200 ISO.

1 de Setembro de 2009

O Verão na montanha

Regresso de uns dias em família do nosso único parque nacional. Embora o Outono seja uma das estações de eleição para conhecer o Parque Nacional da Peneda-Gerês, reconheço que o Verão também tem a sua beleza, e nos permite disfrutar de outras maravilhas. Banhos de rio, quedas de água cristalinas, passeios ao fim da tarde, jantares ao relento e saídas para procurar alguns habitantes com hábitos nocturnos, como por exemplo o sapo-comum. Desta vez, foram os meus filhos mais novos que se entusiasmaram a fotografar o bicho, que colaborava com poses perfeitas para a fotografia.

Desde que comecei a viajar por conta própria que, sempre que posso, gosto de usufruir de alguns dias na montanha durante os meses de Verão. Na zona de Lamas de Mouro, uma das seis entradas do parque nacional, os bosques de vidoeiros e pinheiros-de-casquinha permitem alguns ensaios fotográficos nocturnos. A urze e o tojo ainda se encontram em flor e as libélulas pululam junto às lagoas e ragatos. Um cenário que em breve desaparecerá, com o encurtar dos dias e o aproximar do Outono. Mas antes disso, regresso lá novamente para mais alguns dias, já durante a próxima semana.















De cima para baixo

› A imponência da montanha ao final da tarde › zoom 28-80 mm, filtro polarizador, tripé, película Fujichrome Velvia 50.

› Um garrano apanha o sol do fim da tarde › 300 mm, película Fujichrome Sensia 100.

› Fotografia nocturna no bosque em Lamas de Mouro › Digital, Zoom 12-60 mm, tripé, 200 ISO

› Uma libélula pousa junto a um regato cristalino › Digital, 105 mm macro, tripé, 200 ISO.

› Sapo-comum, um dos habitantes nocturnos › Digital, 50 mm macro, flash anelar, tripé.

7 de Julho de 2009

A Serra da Estrela está mais bonita

A paisagem da Serra da Estrela está mais bonita, nomeadamente no Vale do Zêzere. Gradualmente, e após o grave incêndio que em 2005 destruiu grande parte do magnífico vale de origem glaciar, a paisagem tem vindo a recuperar lentamente, “embora ainda seja cedo para analisar ao nível da recuperação ecológica do Vale do Zêzere”, conforme me afirma o engenheiro florestal António Jorge Coimbra, supervisor do Parque Natural da Serra da Estrela, “já que algumas condições mudaram, após o incêndio, referentes às condições de humidade, luminosidade, etc. o que vai levar a outras possibilidades no que toca ao aparecimento de espécies”.

No Verão de 2005, um enorme incêndio devastou durante dias cerca de 3000 hectares deste parque natural, atingindo não só o Vale do Zêzere, mas estendendo-se igualmente pelo Vale do Rossim, Poço do Inferno e Lagoa do Peixão, afectando essencialmente duas grandes zonas: uma zona arborizada e outra não arborizada. As zonas arborizadas eram constituídas essencialmente por resinosas (como o pinheiro-bravo, pinheiro-negro, algumas exóticas, etc.) e folhosas (como castanheiros, carvalhos). “O que temos vindo a verificar é que sem nenhuma intervenção humana, na zona das resinosas houve recuperação espontânea com carvalhos e castanheiros. Para já, isto só aconteceu aqui. Provavelmente havia sementes que não tinham germinado e após os incêndios isso veio a verificar-se. As aves como os gaios, entre outras, também podem ter tido aqui igualmente um papel importante”, afirma o ténico deste parque natural. Após o grande incêndio de 2005, que levou à destruição incluisivé de alguns teixos e zimbros, houve pequenas intervenções que abrangeram cerca de 20 hectares, levadas a cabo maioritariamente pela Direcção Geral de Recursos Florestais e algumas associações locais.

Ainda segundo António Jorge Coimbra, nos planos do Parque Natural da Serra da Estrela encontra-se uma intervenção nas zonas não arborizadas afectadas pelo incêndio de 2005, que passa pela recuperação das linhas de água no Vale do Rossim, e a plantação de algumas espécies arbóreas em torno do Covão da Ametade e o Vale da Candeeira. O Parque Natural da Serra da Estrela detém o estatuto de maior montanha de Portugal Continental, com os seus 1993 metros. Uma paisagem multifacetada, marcada por vales recortados onde correm rios e ribeiras, sobre granito e xisto, pulando fragas, rochedos e penhascos serra abaixo. Moreias, covões, lagoas e lagos atestam a longevidade e a beleza única deste parque natural.











De cima para baixo

› O Vale do Zézere actualmente (e após o grande incêndio de 2005) › Digital, 28 mm, filtro polarizador, tripe, 100 ISO.

› Renascendo das cinzas, Serra da Estrela › Digital, 105 mm, macro, tripé, 200 ISO.

› Gaio, uma das presenças constantes nos bosques da Estrela › Digital, 600 mm, teleconversor 1.4x, tripe, 800 ISO.

› Vegetação nos vales da Serra da Estrela › Digital, 300 mm, tripé, 100 ISO.

› Reflexos no rio Zézere, Covão da Ametade › Digital, Zoom 28-80 mm, filtro polarizador, tripé,

15 de Maio de 2009

Uma semana pelo Sudoeste Alentejano


Encontro-me no Sudoeste Alentejano, um lugar fantástico com praias e falésias dignas dos melhores registos. Aproveitando ter que fotografar para um trabalho iniciado no ano passado que começou no interior da Herdade da Comporta, acabei por ficar uma semana cá por baixo. Com as previsões meteorológicas a indicar muito sol, aproveitei para fotografar intensamente ocupando os dias quase até ao anoitecer. Durante a semana não se vê ninguém por estas paragens (o que é excelente para o meu trabalho) apenas um ou outro casal estrangeiro que resolveu fugir da confusão dos seus países e aproveitar aquilo que nós temos de melhor: sol e praia. A vegetação dunar com as magníficas armerias sp. estavam em flor, e as cegonhas-brancas que nidificavam nas falésias andavam numa azávama "correndo" entre o campo e o mar para se alimentarem. Antes de me aproximar das arribas já ouvia o matraquear dos seus bicos, um espectáculo digno de ser visto e fotografado. Alguns estrangeiros ficavam estupefactos a olhar para os bichos nas arribas e murmuravam olhando para mim "wonderful!". As duas câmaras que fazem parte do meu equipamento não tem descanso... sempre a bombarem! Alguns peneireiros eram facilmente observados a saltitar de pouso em pouso nas arribas. Praia da Comporta, Carvalhal, Pego, Vila Nova de Milfontes, Almograve, Cabo Sardão e Zambujeira do Mar, sem faltar os almoços na pacata vila de Odemira, foram locais por onde andei durante a semana passada.












De cima para baixo

› Sudoeste Alentejano perto de Sagres ao final da tarde. › Digital, zoom 28-70 mm, tripé, 100 ISO.
› Praia da Zambujeira do Mar. › Digital, zoom 12-60 mm, filtro ND, tripé, 200 ISO.
› Cegonha-branca, Sudoeste Alentejano. › Digital, 300 mm, tripé, 200 ISO.
Armeria sp. em flor. › Digital, zoom 12-60 mm, tripé, 200 ISO.
› Um peneireiro-vulgar olha para mim desconfiado. › Digital, 600 mm, tripé, 100 ISO.

5 de Abril de 2009

Por entre terras do Marão e do Alvão

A Primavera está aí e com ela múltiplas paisagens cobrem-se de cores. Regresso de terras do Alvão, onde a urze e a giesta já rebentaram, pintalgando de tons rosa e amarelo esta magnífica zona de montanha. Com uma enorme biodiversidade floristica, por entre espécies raras ou endémicas, como o cravo-dos-alpes ou a açucena-brava, encontramos carvalhos, vidoeiros, azevinhos, castanheiros, pilriteiros e muitas outras espécies de flora. Com um relevo variado, o Parque Natural do Alvão apresenta definidas duas importantes áreas. Uma zona mais alta (que chega aos 1339 m), que abrange a serra do Alvão e o planalto de Lamas de Olo, e uma zona basal (até aos 250 m), onde estão localizadas as povoações de Ermelo e de Fervença que, por sua vez, se interligam com os vales mais profundos onde corre o rio Olo. Outrora, por entre as zonas mais elevadas do sistema montanhoso do Alvão /Marão, era possível avistar com frequência a emblemática águia-real, encontrando-se hoje praticamente extinta. Actualmente, subsistem no interior do parque, diversas espécies faunísticas, típicas de montanha. O lobo, o gato-bravo, a toupeira-de-água, o falcão-peregrino, entre outras, encontram nesta área protegida refúgio fulcral para a sua conservação. O Alvão é também conhecido pelas suas aldeias de grande valor arquitectónico como Lamas d´Olo, Arnal, e Ermelo e aspectos geomorfológicos e paisagísticos como as quedas de água das Fisgas do Ermelo e do Moinho de Galegos da Serra











De cima para baixo

› Urze em flor › Digital, 105 mm macro, tripé, 200 ISO.
› Urze e giesta em flor no Alvão › Digital, zoom 12-24 mm, tripé, 100 ISO.
› Borboleta Antocharis cardamines › 105 mm macro, tripé, película Fujichrome Provia 100 F.
› Aldeia de Fervenças, Alvão › 105 mm macro, tripé, película Fujichrome Velvia 50.
› Rio Olo, Alvão › formato 6x4.5, 30 mm, tripé, película Fujichrome Velvia 50.

10 de Março de 2009

Percurso por alguns bosques portugueses

Agora que a Primavera está à porta e me preparo para umas novas saídas fotográficas, revejo alguns momentos de percursos por bosques portugueses.  Este ano, durante o Outono e o Inverno passei por vários lugares, como o Gerês, Alvão, Campeã, Marão, Caramulo, etc. para fotografar para um extenso trabalho que se encontra muito perto do fim. Foi quase um ano e meio de  trabalho fotográfico, de norte a sul de Portugal. É sempre bom rever o que lá se faz! 














De cima para baixo

› Mata de Albergaria, Peneda-Gerês. › Digital, zoom 12-24 mm, tripé, 100 ISO.
› Chapim-real. ›  Digital, 600 mm, teleconversor 1.4x, tripé, 400 ISO.
› Mata de Albergaria, Peneda-Gerês.  › Digital, 300 mm, tripé, 100 ISO.
› Ouriço-cacheiro. › Digital, zoom 12-24 mm, 200 ISO.
› Sapo-comum. › 105 mm macro, tripé, película Fujichrome Provia 100F.